
Começaram nesta terça-feira (13) as obras emergenciais de reforço em duas pontes localizadas nos quilômetros 205 e 223 da MS-040, que apresentam risco de desabamento. Enquanto os veículos leves seguem circulando sob o sistema de "pare e siga", o tráfego de caminhões e veículos pesados permanece totalmente restrito na rodovia.
As intervenções são executadas pela concessionária Caminhos da Celulose, sob o acompanhamento da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems). Os trabalhos ocorrem de forma simultânea nas duas estruturas e abrangem o reforço das fundações, a instalação de estruturas metálicas e o alargamento das pistas com espaço para acostamento. A previsão das autoridades é que esta etapa seja concluída até 30 de novembro, data em que a liberação para o transporte de cargas será reavaliada.
Os problemas estruturais foram constatados durante inspeções da concessionária realizadas nos primeiros meses de concessão. Análises detalhadas e relatórios técnicos da Agems confirmaram que o excesso de peso acumulado pelo tráfego intenso de veículos pesados ao longo dos anos causou sério comprometimento estrutural. No km 205, os reparos precisaram ser antecipados em relação ao cronograma original da concessão, enquanto no km 223 as melhorias foram adicionadas emergencialmente ao plano atual.

Histórico de bloqueios, impactos e reação política
A restrição para veículos de carga na MS-040 teve início há cerca de um mês, em meados de setembro, quando os problemas estruturais foram identificados. O bloqueio do trânsito pesado afetou diretamente a rotina de produtores rurais, comerciantes e transportadores da região — principalmente no eixo entre Santa Rita do Pardo, Bataguassu, Água Clara e Campo Grande —, gerando atrasos no escoamento da produção de gado e na entrega de insumos.
Os impactos financeiros motivaram protestos na região. Moradores e produtores rurais chegaram a bloquear o trevo de acesso da MS-040 em Santa Rita do Pardo para pressionar a concessionária e os órgãos reguladores por rapidez na apresentação de laudos e na liberação do tráfego.
A situação também desencadeou forte repercussão política. A interdição dominou os debates na Câmara Municipal de Santa Rita do Pardo, onde parlamentares cobraram transparência e estudos técnicos detalhados. Na Assembleia Legislativa, cobranças formais por cronogramas claros, laudos detalhados e fiscalização rigorosa pela Agems foram apresentadas ao Governo do Estado e à concessionária.
A concessionária e a Agems reiteram que as obras iniciadas nesta terça-feira são fundamentais para readequar as pontes à sua capacidade normal de carga, visando garantir a segurança técnica necessária antes da liberação do trânsito pesado.
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