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Rua que tinha asfalto vira lamaçal em Santa Rita do Pardo e paralisação de obra revolta moradores e inflama a Câmara Municipal

Enquanto secretário de obras atribui transtornos ao período chuvoso, vereadores comprovam que os serviços já estavam estagnados durante a estiagem.

09/10/2026 às 10h16
Por: Diego Oliveira Fonte: Redação Cenário MS
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Sem a conclusão do asfalto na Rua Pedro Celestino Cardoso, famílias enfrentam atoleiros na chuva e poeira na seca
Sem a conclusão do asfalto na Rua Pedro Celestino Cardoso, famílias enfrentam atoleiros na chuva e poeira na seca

Uma obra de pavimentação e drenagem de águas pluviais projetada para sanar históricos problemas de infraestrutura na Rua Pedro Celestino Cardoso, no centro de Santa Rita do Pardo, transformou-se em uma rotina de transtornos para as famílias da região. Licitada pela Prefeitura sob o Contrato nº 093/2026 (vinculado ao Convênio nº 09032023) e executada pela empresa Tucanos Terraplanagens e Construções Ltda., a intervenção previa prazo de sete meses para conclusão a contar de 22 de fevereiro de 2026. Contudo, a estagnação dos serviços após a remoção da camada original de asfalto desencadeou indignação popular, intensas cobranças na Câmara Municipal.

O cenário de abandono na via veio à tona primeiramente por meio de reportagens do jornal local Santaritense, que passou a registrar e divulgar os frequentes relatos encaminhados pelos moradores. Para a instalação das galerias subterrâneas de escoamento, a capa de asfalto antigo foi cortada e escavada, mas os buracos foram cobertos apenas com terra batida.

Sem a conclusão da base estrutural e a aplicação do novo pavimento, a rotina dos munícipes passou a ser ditada pelo clima. Em dias secos, nuvens de poeira invadem as residências, afetando a saúde de crianças, idosos e pessoas acamadas. Já nos dias chuvosos, a rua se transforma em um verdadeiro atoleiro de lama que impede a passagem de carros e pedestres, deixando os moradores ilhados em suas próprias casas.

Em gravação realizada diretamente no trecho afetado, cercado por valas e barro acumulado, um morador desabafou sobre a situação:

"Isso é um descaso com a população, isso é uma vergonha! Porque a gente faz de tudo e olha o que que acontece aí˜, desabafou

O descaso levou o Poder Legislativo a cobrar explicações imediatas da administração pública e da empreiteira. A pauta foi levada ao plenário inicialmente pela vereadora Silmara de Souza Braga, durante e ganhou a adesão firme dos vereadores José Messias, Edmilson Bezerra (Tafarel), Leudiane da Silva Lopes (Leu Lopes) e Rui Fernandes Castelo Branco.

"Quem ganhou a licitação é a empresa de Presidente Prudente... E nós estamos aqui para cobrar, para pedir explicação do que precisa ser feito, porque a gente tem que fiscalizar", declarou a vereadora Silmara Braga.

Em resposta aos questionamentos, o Secretário Municipal de Obras, Roberto Barbotti, esteve no local e alegou que os problemas e atrasos eram provocados exclusivamente pelas chuvas recentes:

"Infelizmente nós estamos com a obra nessa situação devido ao mau tempo. Nós sabemos que pavimentação asfáltica não consegue fazer com chuva [...] e precisa que o tempo esteja seco para que a empresa possa concluir e repor a capa que foi retirada aqui para poder fazer a rede de drenagem pluvial".

Contudo, a justificativa oficial foi duramente rebatida pelos parlamentares, que demonstraram que o canteiro de obras já estava parado muito antes do início do período chuvoso.

"Não foi na chuva que parou, tinha parado antes. Tinha estagnado a pavimentação... Aí alguém diz: 'Mas é as chuvas?' Mas antes da chuva já tinha parado", contestou o vereador Tafarel.

A vereadora Leu Lopes reforçou a indignação com a tentativa de responsabilizar o clima pelos atrasos:

"Eu estive passando durante esse período de chuva todinho ali nas ruas onde tem lama: os moradores não conseguem sair, ficam em cima da calçada com os pés cheios de barro... Quando não é lama, é poeira. Então isso tá ficando vergonhoso. Não vem dizer que é por causa da chuva, porque estávamos num período seco onde eu passei várias vezes e as ruas já estavam todas abertas. Se não tinha competência para fazer, não pegasse".

A forte pressão popular e o desgaste na Câmara Municipal forçaram a Prefeitura de Santa Rita do Pardo a adotar medidas administrativas rigorosas. O município confirmou que a construtora descumpriu o cronograma pactuado e que já foi notificada formalmente cerca de dez vezes pela equipe de fiscalização.

Rua fica intransitável em dias de chuva 

Em pronunciamento oficial, o Prefeito Dr. Lúcio apresentou os documentos encaminhados ao Legislativo e deu um aviso categórico à empreiteira:

"Nós estamos cobrando a empresa e, se ela não cumprir o compromisso, nós vamos quebrar o contrato de novo e vamos licitar. É um absurdo o que tá acontecendo com a nossa população e também uma falta de respeito com a administração pública"

Diante do cerco político e da repercussão das denúncias, moradores da Rua Pedro Celestino relataram que funcionários da construtora foram vistos no local ontem tentando reiniciar intervenções pontuais na via. Apesar da movimentação recente de operários, moradores e os vereadores afirmam que manterão a vigilância diária e exigem a conclusão definitiva do pavimento asfáltico para colocar fim ao sofrimento de quem vive na região

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