O nível do Rio Ivinhema subiu quase 4 metros no trecho entre os municípios de Ivinhema e Nova Andradina até quinta-feira (15), de acordo com a Defesa Civil municipal. O avanço das águas, registrado em imagens aéreas feitas com drones, interditou a estrada de acesso à parte baixa da margem e colocou o órgão em alerta para a possibilidade de retirada de moradores nas próximas semanas.
A elevação é resultado do volume de chuva que atinge a região. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o município de Ivinhema acumulou 422,4 milímetros de precipitação entre o dia 1º de setembro e quarta-feira (14). Somente nos primeiros 14 dias de outubro, foram registrados 232,2 milímetros.
Conforme relatado pela Defesa Civil, três famílias residem às margens do Rio Ivinhema. Até o momento, elas não precisaram deixar os imóveis porque as residências ficam na parte mais alta do terreno, onde a água ainda não chegou. No entanto, a remoção dessas famílias pode ocorrer até novembro, já que o nível do rio continua subindo devido às chuvas constantes nas cabeceiras e aos efeitos do fenômeno El Niño.
Na parte mais baixa da margem do Rio Ivinhema estão localizadas casas de veraneio, utilizadas por proprietários nos finais de semana e períodos de férias.
Alerta de segurança e estrada interditada
Diante da subida das águas, a Defesa Civil informou que a estrada utilizada para acessar a área de ranchos já está tomada pela água e sem condições de trânsito.
O órgão orienta que moradores e frequentadores evitem áreas alagadas, não permaneçam nos locais atingidos pela cheia e não tentem atravessar estradas submersas. A Defesa Civil também reforça a importância de a população se cadastrar nos canais oficiais para o recebimento de alertas.
Situação de outros rios e previsão do tempo em MS
Além do cenário em Ivinhema, o boletim da Sala de Situação do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), divulgado nesta sexta-feira (16), mostra que outros três rios do Estado ultrapassaram a cota de alerta:
Rio Miranda (Estação de Miranda): registrou 6,83 metros (acima da cota de alerta de 6 metros e abaixo da emergência de 7 metros).
Rio Taquari (Coxim): atingiu 4,24 metros às 7h desta sexta-feira, após marcar 3,84 metros no dia anterior (acima do alerta de 4 metros e abaixo da emergência de 5 metros).
Rio Dourados (Estação de Dourados): chegou a 3,25 metros (acima da cota de alerta de 3,10 metros).
Rio Pardo (Estação Fazenda Buriti): marcou 5,10 metros, próximo à cota de alerta de 5,30 metros.
Rios Paraguai e Piquiri: permanecem abaixo das cotas de alerta nas estações monitoradas em Ladário (1,29 m), Porto Esperança (69 cm), Porto Murtinho (2,93 m), São Francisco (4,39 m), São José do Piquiri (2,41 m) e Pousada Taiamã (2,41 m).
De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), a previsão para esta sexta-feira (16) indica continuidade das chuvas no Estado devido à atuação de uma frente fria associada a um ciclone extratropical no Oceano Atlântico. O Cemtec alerta que o alto volume de chuva acumulado nos últimos dias mantém o risco de alagamentos em áreas vulneráveis, com ventos previstos entre 30 km/h e 50 km/h, podendo superar essa marca em rajadas isoladas.